Segunda-feira, 24 de Novembro de 2008

Embrulho de risco

“Todas as melhores coisas da vida vêm num
embrulho de risco. Você desamarra o laço e assume
o risco, como também a alegria. Paternidade/
maternidade é assim. Casamento é assim. Amizade
é assim.
Para experimentar a vida ao máximo, você
se expõe a um poço sem fundo de vulnerabilidade.
Essa é a essência do amor verdadeiro.”

(Kristin Armstrong)

Domingo, 5 de Outubro de 2008

Vazio

Hoje lembrei o quanto já fui feliz. Lembro que eu tinha alguns amigos no colégio. Lembro que eu e o Dudu quebramos o lustre da vovó brincando de jogar “bóia”. Lembro que me pendurava nas cortinas brincando de Tarzan e que um dia elas se despedaçaram. Lembro que fui atropelada brincando de pique-esconde na garagem. Que fui brincar de barco no mar, subindo numa tábua e fui parar lá no fundo... Que brincava de pular elástico na rua. Que aprendi a andar de bicicleta fugindo de uma barata. Que brincava de fazer comida com as folhas que eu achava na praia, lá em Angra. Que tinha medo dos E.T.s e dos espíritos das histórias que contavam em Maricá. Que fui apaixonada pelo Rodrigo e pelo Júnior e escrevia sobre eles no meu diário. Que tinha uma vizinha no prédio que vendia sacolé e eu sempre escolhia o de morango. Que tive tantas melhores amigas: Ju, Fabiana, Gab, Karine... Que meu pai comprava “guarda-chuvinhas” de chocolate para mim sempre que ia à padaria. Que eu adorava comer bala de caramelo no cinema. Que estudei num colégio público que eu amava, depois num particular que eu odiava e depois num de normalistas. Que fiz balé quinhentos anos e joguei futebol apenas por alguns. Que fiz aulas práticas de teatro no colégio e teóricas na faculdade. Que a minha mãe tinha um Chevette Marajó azul (placa WF 5937) e que foi o primeiro carro que eu dirigi. Que eu fugi para dar o meu primeiro beijo. Lembro que eu sonhava tanto e que ainda ria bastante nessa época. Lembro que eu achava que a minha vida inteira teria momentos felizes como esses. Engraçado que eu imaginava que tudo hoje fosse bem diferente do que é. Nem imaginava que o Lula fosse eleito e reeleito! Que o dólar não valeria mais tanto assim... Não imaginava que as conseqüências das merdas de agora fossem bem diferentes do que quebrar um lustre e que existem coisas que doem muito mais do que ser arrastada por um carro. Enquanto isso a vida vai me levando, como fez o mar quando eu subi na tábua para brincar de velejar... a diferença é que agora não tem nenhum irmão mais velho pra me tirar de lá... pra me tirar daqui! Nem tenho mais histórias para anotar nos diários. Vazio...

Sábado, 6 de Setembro de 2008

Não no seu tempo, mas no meu

Engraçado que em todos esses anos eu nunca me dei conta do que signifiquei para você. Engraçado que em todos esses anos, talvez eu nunca tenha percebido o quanto você foi e é especial para mim. Engraçado que pode passar um milhão de anos e é preciso apenas alguns minutos para você se dar conta do que não conseguiu enxergar em tanto tempo. É como se de repente passasse o efeito do "Dramin", a luz acendesse e você se desse conta do quanto você foi feliz, mas estava sonolenta demais para perceber. E ainda dizem que Deus não existe! Como não? Um momento assim só pode ser coisa de Deus... Você espera 25 anos para um dia, quando menos espera, se dar conta que sua vida não foi em vão e que pelo menos uma vez você pode ter certeza de que fez alguma escolha certa, porque a conseqüência é para o resto dos seus dias.
Engraçado como a vida é en-graça-da. "Graças" a Deus.
Eu te ... !

Quarta-feira, 3 de Setembro de 2008

Telemarketing

- Boa noite! Por favor a senhora Maria?
- Sim.
- Senhora Maria aqui quem fala é a Fabiana da Credicard. Deixo claro que esta conversa está sendo gravada. Eu preciso que a senhora me confirme os seus dados.
- E por que eu tenho que confirmar os meus dados, se a Credicard já tem os meus dados?
- Por que eu preciso confirmar se eu realmente falo com a senhora Maria.
- Eu só posso confirmar os meus dados se antes confirmar que eu realmente falo com a Fabiana da Credicard. Mas eu não tenho nenhum banco de dados com informações de atendentes da Credicard. E agora?
- Senhora, por gentileza, qual a data do seu aniversário? Endereço? Telefone?
- O telefone você sabe, afinal você acabou de ligar para ele. O restante eu só digo se eu puder confirmar que quem está falando é a Fabiana da Credicard. (Hehehehe...)
-Senhora Maria, informo que aqui realmente é da Credicard e que você possui os cartões X e Y, com limites de A e B reais, com vencimento nos dias W e Z. Estou ligando para lhe informar que a senhora foi CONTEMPLADA com a possibilidade de contratar um seguro desemprego no valor de X reais, podendo resgatar o valor de Y reais a qualquer momento que comprovar o desemprego.
- Mas eu estou trabalhando e vou continuar assim!
- Mas senhora Maria, nunca se sabe o que pode acontecer no futuro.
- Você está me rogando praga?
- De forma alguma, senhora Maria.
- Fabiana, eu realmente não tenho interesse.
- E a senhora pode me dizer o motivo?
- Não, não posso.
- E por que não pode?
- Porque eu não falo da minha vida pessoal.
- E por que não contratar este sensacional seguro, senhora Maria?
- Por até agora você não me confirmou os seus dados, senhora Fabiana. Eu não sei se você realmente é a senhora Fabiana. E eu não dou satisfação sobre as minhas escolhas para estranhos.
- Mas eu já disse à senhora que é da Credicard e lhe passei alguns dados.
- Mas eu não sei se você é a Fabiana, senhora (hehehehe). Então, a Maria agradece a ligação da Credicard. Tenha uma boa noite!
- Boa noite, senhora Maria.

Segunda-feira, 28 de Julho de 2008

Para não sobrar nem as suas digitais

Meu querido B.

Resolvi escrever esta carta que não sei se é de amor, já que é impossível prever que rumo ela vai tomar. O que sei é que talvez seja a última. O último escrito, a última declaração espontânea. Depois destas palavras, só na presença do meu advogado! Então, aperte os cintos e aproveite este último rastro / contato / palavras que terá de mim. Já que é tão difícil me fazer entender, escolho calar-me para você agora, para o resto de meus dias. Melhor assim, talvez. Desculpe-me a incompetência... por não ter conseguido te fazer me enxergar como alguém que realmente se importava com você, que queria seu bem, sua felicidade... e só não queria se machucar mais com nomes e histórias que lhe doem os ouvidos e a alma.
Queria que você soubesse que parte de mim te odeia por todo o sofrimento que me fez passar (e que não foi pouco), pela traição, pela mentira e toda a espera em vão. Dois anos perdidos. Dois anos esperando o dia em que acordaria do seu lado com a certeza de que também seria assim nos próximos sem culpa, sem medo, sem nomes... Mas aí eu acordava com você num dia e já tinha que recolher minhas roupas com pressa, porque tinha outra pessoa te esperando. Passava um tempo e eu acordava de novo com você, mas não sabia se no dia seguinte ouviria sua voz outra vez. O tempo foi passando... mas o tempo do fim da espera nunca chegou. Dois anos. Em dois anos eu não consegui fazer você voltar para mim. Dois anos é muito tempo! Dois anos é uma vida. Incompetência tem limite.
Eu te amava tanto que pensava que todo aquele amor fosse suficiente para eu te ter de volta, para te fazer feliz, para me tornar a mulher perfeita para você. A que caberia mais perfeitamente nos seus sonhos e na sua vida. Mas me enganei. Só aquilo não bastava. A minha vida e meus horários são comuns demais para caberem no seu calendário. Trabalho de segunda a sexta, só tenho férias uma vez por ano (quando tenho)... ganho o meu dinheiro, pago as minhas contas... Não tenho como ir ao cinema com você às duas horas da tarde de uma quarta-feira. Nem tão pouco viajar para Cancun ou Las Vegas duas vezes por ano em qualquer uma das suas folgas... Enfim, talvez eu não seja o que você precisa e tenho que me conformar com isso. E talvez só amor e vontade não sejam suficientes. Você tinha razão.
Pena você ser o que em mim cabia. Na medida dos meus sonhos, o bom filho, o bom irmão, o bom amigo. Acho também que seria bom pai. Seria um pai bonito! A paixão de tirar o fôlego... a intensidade... É incrível como te admiro! A inteligência, o jeito engraçado de falar, as boas conversas, o arrepio que me dá... O teu cheiro bom, natural, que fica no meu travesseiro. Teu colo. O abraço que eu gosto de ganhar... era a pessoa com quem eu queria compartilhar os meus dias, meu coração, minha vida, minha família... meus sorrisos, minhas expectativas, meus escritos, minhas conquistas. Era a pessoa que eu queria que estivesse comigo na estrada. Era você o amor da minha vida.
Você me fez acreditar que o que tínhamos era especial. E, para mim, de fato era. Tudo o que eu queria era poder ter uma oportunidade de tentar fazer dar certo. Eu não tinha grandes ambições... só queria ser feliz! Te fazer feliz. Poder te mostrar coisas grandes e outras nem tanto. Viajar pelo mundo ou simplesmente andar de bicicleta num domingo de sol. Construir, viver, fazer ou apenas ver TV num dia frio qualquer. Poder descobrir isso que é a vida ao lado da pessoa que eu mais amei, que mais mexeu comigo de todas as maneiras possíveis. A que foi mais importante.
Perdoe minhas tentativas inábeis de fazer tudo isso dar certo. Eu fiz o máximo que eu pude. De verdade. E só quis ter uma chance, só uma de realizar sonhos e de materializar convicções e pensamentos. Enfim...Tenha certeza de que em toda a sua vida, eu fui a mulher que mais te amou e que fez o possível para estar ao seu lado.Depois de algum tempo eu percebi que tudo aquilo era loucura e que a busca era em vão. Rasguei as fotos, escondi suas coisas, bloqueei, excluí, limpei os móveis para não sobrar nem as suas digitais.